Um domingo à tarde

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terça-feira, 28 de outubro de 2014


Ele prometeu-lhe Paz...uma paz que o corpo dela não sabia, não podia, e não queria aceitar. Ela chorou pela primeira vez. Mas não caíram lágrimas dos seus olhos, apenas gotas de sangue negro do seu coração. Friamente ela disse-lhe Não. Caminhou de costas voltadas para ele. Sabia que o faria sofrer, mas como aceitar a Paz quando todo o seu corpo era Fogo? Como aceitar a Paz quando toda a sua mente era Tempestade?Como viveria ela sem isso? Apenas sabia ser dilacerante, apenas compreendia o que era ácido, corrosivo e vulcânico. Manejava na perfeição a dissimulação e o engano. Esse era o seu mundo, era esse o seu destino. O caminho estava escolhido, tinha chegado por fim ao ponto sem retorno.
- O Amor já veio tarde para mim, mas para ele talvez ainda haja tempo. Eu fui a sua tempestade, quem sabe amanhã não lhe apareça uma bonança.
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Detive-me perante o escorrega carregado de folhas secas. Logo me vieram à memória pequenas fotos mentais, dos tempos passados a ver a Carolina a brincar e a correr neste mesmo parque. Lembro-me ainda como se fosse hoje, do dia em que ela me disse que tinha o melhor pai do mundo. Este sempre foi o nosso lugar especial. Era quase um ritual sagrado de domingo, o pequeno almoço na pastelaria mimosa, a ida ao parque e o almoço no "Ti Álvaro". Sempre fomos só os dois, foi aqui que caiu o primeiro dente da Carolina, foi também aqui que pela primeira vez a minha filha me perguntou onde estava a mãe. Naquele momento percebi que nunca mais teria a minha menina de volta,e isso apertava-me o coração. Deixou de ser uma criança, é agora uma mulher. Por mais voltas que dê, nunca mais voltarei a ter a minha pequena princesa de volta...
- Pai o que fazes aí parado? Despacha-te que combinei ir ter com a Rita ao Centro Comercial depois do almoço!
- Desculpa filha, estava aqui a lembrar-me de quando... esquece não é nada.
- Olha o meu paizinho a ser sentimentalista..sim senhor amigo Zé Carlos nunca pensei, um homem desse tamanho...
- Mais respeito menina, mais respeito que ainda sou teu pai!
- Não te preocupes paizinho, serei sempre a tua menina...
- Agora quem é que está a ser sentimentalona?!
- Gosto ti...
- Eu também!
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Oscar A. Velho era um ser forte... fisicamente ninguém lhe fazia frente, dizia a quem quisesse ouvir "Quem me derrotar, o meu chifre pode levar!". Escusado será dizer que eram poucos os que ousavam pensar nisso, ainda era fresco na memória de todos a luta com João Lacrau...o João animal fanfarrão, desafiou Oscar A. Velho "O teu chifre contra o meu ferrão, o vencedor será declarado senhor do tronco"...mal sabia o tal do Lacrau fanfarrão que afinal toda a gente tinha mesmo razão... saiu a chorar e sem o seu ferrão. Oscar A. Velho era admirado por todos, desejado pelas fêmeas, temido e respeitado pelos machos. Dizia-se à boca pequena que em proporção ao seu tamanho, Oscar A. Velho era o mais forte animal do mundo. O próprio afamava "Suporto nas costas 850 vezes o meu peso!". Ninguém dúvidava, ou se faziam também não o diziam. Mas tanta força escondia um senão...tudo era forte em Oscar menos o seu coração... Desde o primeiro dia que viu aquela bela estrangeira, Joan A. Ninha...bela e exótica sempre com a sua saia vermelha. Ela parecia ser a única a não ficar impressionada com a força de Oscar. Por mais do que uma vez à sua passagem Oscar exibia a sua força, ora a tirar folhas do caminho, ora a quebrar galhos para fazer pequenas pontes...nada parecia impressionar Joan A. Ninha. Oscar entristeceu...o seu orgulhoso chifre parecia menos intenso, andava mais triste já não desafiava ninguém...Oscar A. Velho era um ser forte... fisicamente...mas emocionalmente era frágil como uma mariposa, e a culpa disto era de uma pequena joaninha e de uma coisa estranha aos machos másculos chamada Amor... Oscar aprendeu que não se apanham moscas com vinagre, e foi obrigado a mostrar que por baixo daquele couraçado...existia um ser meigo e apaixonado
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Rita já não sabia mais o que fazer para deixar de estar só.
- "Quero um homem que me leve a jantar a Paris, e que faça amor comigo no jardim!" - pensava ela todos os dias.
Rita tentou de tudo, ia a bares mas não gostava de beber, tentou no ginásio mas enjoava-a o cheiro a suor, foi até à igreja mas a única conversa que teve foi uma confissão com o padre.
-"Estou farta, farta desta vida triste e só, vou ficar velha e enrugada mas parece que ninguém tem dó!"
A sua luta diária para encontrar um amor e alguém com quem partilhar as despesas, era cada vez mais intensa. Aumentou o descaramento e diminuiu o tamanho da saia. O peito pequeno mas firme, era cada vez mais exposto, indiferente não ficava aos olhares de quem passava...
- "Já não há decoro" - dizia uma velhota à saída da sapataria mouro...
- "Ah faneca linda, anda cá que trato do teu filete!" Dizia-lhe o Armindo, homem experiente, trolha de profissão, mas bêbado por vocação...
Os dias passavam e a coisa não se acertava...
- "Isto assim não pode continuar, disse rita com pesar!" O vibrador já não era suficiente, na verdade Rita precisa de algo mais quente...
Enquanto espera pelo galão, Rita folheia a revista maria, Eis que se depara com a sua solução...
<O chocolate é afrodisíaco, liberta endorfinas ou algo que o valha>
- "Talvez seja esta a minha solução", gritou Rita entornando o galão!
A caminho de casa parou no pingo doce e comprou um cesto de chocolates variados.
- "Não vá o diabo rogar uma praga...o melhor é levar de todo. Durante dois dias Rita comeu chocolate como nunca o havia feito. Ao terceiro dia conheceu Romeu...belo, alto e simpático, era meio vesgo, mas dava para o gasto! Conversa puxa conversa e Rita lá se decidiu... "- O que fazes hoje Romeu? Podíamos ir tomar um copo ao salão brasil?"
E assim ficou combinado, nessa noite alguém ia cantar o fado! Faltavam duas horas para o tão esperado encontro, Rita não quis arriscar, então toca de chocolates enfardar. O telefone tocou, parece que o Romeu chegou! Mais um pouco de perfume no peito e sai de casa a correr feliz e a preceito. Mas no caminho apercebeu-se que algo não estava bem, mas não queria estragar o momento. Uma bufa silenciosa ainda passou despercebida, no meio do perfume de rosas. Ao chegar ao salão brasil algo aconteceu, era o que temia, uma bela dor de barriga lhe deu, ainda tentou ir à casa de banho, mas a caganeira não esperou, e assim desta forma, a nossa Rita toda se borrou!
- "Puta que pariu a minha vida!", disse Rita num grande lamento.
Quando finalmente tenho sorte, acontece-me este tormento!
- "Percebo que te queiras ir embora, vai que não me importo" disse Rita a chorar para o seu companheiro de olhar torto.
Mas Romeu era boa pessoa e não a abandonou, saíram ambos sob risada geral, afinal não era para menos, se merda desse mesmo sorte Rita hoje ficaria milionária.
- "Menos mal, que isto é perto de um Centro comercial", disse Romeu a tentar relativizar a situação! -" Que número vestes tu? Um 40 ou 42?
-"Sim"! respondeu Rita a chorar baba e ranho.... E passado algum tempo lá chegou Romeu, munido de roupa e muitas toalhitas.
- "Obrigado Romeu, pelo menos tiveste pena de mim"
- "Não te preocupes, para mim isto é normal, acho que não te disse ainda, mas eu trabalho num hospital. Antes trabalhava num lar...por isso imagina as histórias que tenho para te contar. Devo dizer que não foi o melhor encontro que já tive...mas talvez, e com alguma sorte, contemos aos nossos netos a historia do nosso primeiro encontro"
- Se quiseres voltar a sair, prometo que isto não volta a acontecer, mas por favor podemos inventar uma história diferente para os netos...disse Rita já a sorrir... desde esse dia só a simples ideia de chocolate deixava Rita com borbulhas...reacção alérgica psicológica dizia-lhe o médico! Feliz e contente, mesmo com um começo torto, Rita encontrou um homem, que ainda não a levou a Paris, mas já lhe deu muita felicidade, na cama no carro e no jardim, há quem diga que no próprio salão brasil, para se redimirem daquela primeira noite...
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Rorivaldo ainda hoje não sabe como tudo aconteceu!
Era noite tarde quando a viu pela primeira vez. Passou por ela de carro e olhou-a de relance, Ela nem se mexeu. Ficou parada, e foi isso que deixou Rorivaldo intrigado:
-"Ué, nem sequer olhou pra mim!".
Aquele primeiro encontro não lhe saía da cabeça. Quem seria ela? Era assim...não sei...exótica, mas ao mesmo tempo muito familiar.
Na volta da ronda voltou a encontrá-la, parou o carro e decidiu meter conversa:
-"Cê tá só?" perguntou Rorivaldo..."Deve tá...num tá mais ninguém por aqui não" "sabe que cê mi faz lembrá alguém do meu passado, o nome dela era Clementina, e era assim ó azul como cê!

A conversa desenrola-se animadamente e Rorivaldo ao descobrir que esta era a Clementina do seu passado, começou um forte "bate couro", que rapidamente passou para um acto de amor intenso, ( muito físico ) entre um homem e uma estátua. Um acto de amor nem sempre compreendido pela sociedade.
.............

Rorivaldo já ia a caminho de casa, mas ainda assim não lhe saía da cabeça, o momento de amor fugaz com Clementina. Na verdade tudo isto foi um acto louco, mas quando um acto louco é feito por amor, deixa de ser um acto louco e torna-se uma razão para viver!
Na verdade, Rorivaldo sabe que este será o primeiro e último encontro deles...este amor nunca resultaria pois são o oposto um do outro, Ele é um simples policia civil, veio de uma fazenda grande e já conheceu outras Clementinas na vida dele. Ela é uma vaca azul, uma estátua de elite que já viajou por todo o mundo, é uma das estrelas de um grande evento mundial chamado cow parade. É feita de materiais nobres, usa tintas da mais alta qualidade, pintadas por artistas de renome. Esta não é estátua de um homem só! Apenas o amor não é suficiente, é preciso algo mais. Talvez um dia o mundo evolua, e um simples policia como Rorivaldo, pode professar o seu amor por uma qualquer estátua de rua. Poder amar independentemente do material, sejam elas de bronze ou de estanho, que ande a viajar pelo mundo inteiro, ou tenha a sua residência num qualquer parque ou jardim... Pelo direito de poder escolher passar a vida ao lado de um objecto inanimado.

Quando os opostos se atraem Rorivaldo e Clementina...uma quase história de amor!
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- Foste às compras?
- Sim...estou estafada, ainda dizem que não há dinheiro, não há mas é na minha carteira!
- Foste onde?
- Fui ao lado da rodoviária, àquele que nunca sei dizer o nome!
- O que vamos jantar?
- Olha Japonês, que estava em promoção!
- Epá outra vez japonês?
- Eu sei querido, mas este mês está mais complicado e ainda temos o seguro do carro para pagar, ou era Japonês ou era sopa!
- Venha o diabo e escolha!
- Não digas parvoíces, tanta gente a passar mal e tu a queixares-te de barriga cheia!
- Sim, desculpa tive um dia chato hoje, mas vou ajudar-te a fazer o jantar, queres que pique uns Congoleses para acompanhar?
- Olha na verdade preferia só acompanhar só com salada...
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terça-feira, 29 de julho de 2014

Por vezes divago quando penso em ti. Não sei bem porquê mas tens este efeito em mim, e para ser sincero não me importo nada.
Nada em ti é perfeito, e é exactamente isso que me faz sentir tão atraído. Adoro a forma como torces o nariz sempre que se fala daquela banda, não me atrevo sequer a dizê-la nos meus pensamentos...na verdade eu também não gosto nada, mas para te ver assim irritada gosto de colocar a música um pouco mais alta sempre que chegas.
 Gosto da maneira como comes os pêssegos de verão, acho sexy! Não é sexual, é mesmo sexy! Talvez seja pela forma como os teus lábios tocam na pele da fruta. Por vezes imagino que sou eu o pêssego, que é a mim que mordiscas. Imagino que os teus dentes brancos levemente apertam os meus lábios, não o suficiente para magoar, mas na medida certa para que todo eu estremeça.

Nunca me vou esquecer do dia em que o Carlos me bateu! Andávamos na primária e o Carlos sendo maior do que eu, não teve qualquer complacência quando me deu um pontapé na perna, tudo porque eu não fui buscar a bola dele. Tenho gravado na mente o momento em que te dirigiste a ele e lhe disseste:

- "Voltas a bater no meu amigo e eu dou cabo de ti, sei que és maior do que nós, mas não és maior que os meus dois irmãos...eles andam no 7º ano, vê lá se queres que os chames?!"  Desde esse dia soube que seriamos amigos.  Nunca te agradeci por aquele dia, pelo menos não da maneira como gostaria. Sei que parece ridículo, mas durante muito tempo andei sempre a ver se te colocavas em alguma situação complicada, onde eu pudesse surgir para te salvar. Mais depressa me salvavas tu de outro qualquer "Carlos" da vida, do que eu poderia tirar-te de uma situação complicada.

Sempre adorei a forma como conseguias convencer toda a gente a brincar ao que tu querias, mas também a disponibilidade com que aceitavas as ideias dos outros.... Crescemos juntos, mas um dia, não sei bem quando, olhei para ti e não te vi... de repente vi uma mulher, não eras a minha companheira de brincadeiras, não eras a minha confidente de sonhos...eras uma mulher, uma mulher linda que se começava a arranjar, a prender o cabelo de maneiras diferentes, as unhas apareciam pintadas e até o teu cheiro (ah o teu cheiro) mudou. Já não cheiravas só a menina mas sim a perfume, um perfume que se entranhava na minha roupa, nas minhas narinas....mas principalmente no meu coração.

 Esses dias foram também dias negros...passavas menos tempo comigo, alguns dias eras impossível, tratavas-me mal e quase não me falavas. Tinhas agora amigas e essas amigas ocuparam uma parte importante do teu dia, da tua vida...na verdade não era isso que me incomodava...eram os outros rapazes. Eu percebia a maneira como eles te olhavam...não o sabia na altura (que ingénuo eu era) mas era lascívia que aqueles outros olhos lançavam sobre ti, sobre o teu corpo, sobre os teus lábios. Durante bastante tempo andei triste, tão triste que não reparei que a Luísa se tinha tornado uma boa companhia. Era agradável estar com ela, mas eu ainda sentia a tua falta, sentia falta de conversar contigo, sentia falta de te dizer disparates. De repente (talvez não tenha sido assim tão de repente) saíste da minha vida quase por completo, agora eram outros que andavam perto de ti, outros partilhavam o teu sorriso, as tuas brincadeiras, o teu cheiro.

A Luísa tornou-se parte da minha vida, a amizade deu lugar a algo mais...quase que te esqueci, não foi consciente, mas foi o que aconteceu. Um dia passaste por mim e disseste-te:
 - "Olá, já não conversamos faz tanto tempo, temos de ir comer um gelado ou assim...qualquer dia passo por tua casa!"
Não percebi o que se passou, não foi pelo que disseste, mas da forma como o disseste...quase que parecia sedução (seria?). O Ricardo tinha uma teoria, era inveja da Luísa.

- "No dia em que lhe deres conversa ela deixa te te falar!" Aceitei aquilo como uma verdade, ligaste-me dias depois e eu não te atendi. Ias falar comigo na escola e eu fingia atender o telefone. Ah... a dor... a dor que invadia o meu peito sempre que eu fazia alguma destas cenas...porque fazia eu isto? Porque resistia eu aos impulsos de estar contigo, afinal nada mais me faria feliz do que falar contigo, tinha tanto para te contar. Tinha de te contar que a Bella tinha sido mãe, e que eu tinha ficado com um dos cães da ninhada, e de como ele tinha roído a velha bota que encontramos quando estamos à procura do tesouro do pirata barba azul (como se ele alguma vez tivesse passado pelo pinhal por detrás da casa da tua avó!). Tinha de te contar como o meu pai me tinha oferecido um novo telescópio, mas porque raios estava eu a dar ouvidos ao Ricardo? Procurei-te nos dias seguintes, não te vi. Perguntei por ti a uma das tuas amigas...fiquei a saber que a tua avó tinha morrido...o funeral era nesse mesmo dia, não pensei duas vezes...fui ter contigo.
- "Olá Joana, desculpa-me não sabia que a tua avó..."
- "Não digas nada, abraça-me apenas, preciso de um amigo.... preciso de um irmão!"

Naquele momento a dualidade de sentimentos era tal que me deixei levar. Acabei a chorar, não sei se de felicidade por te voltar a ter nos braços, se por tristeza de ser teu "irmão". Hoje percebo que era de felicidade, era de amor de poder estar ali para ti, te de enxugar as lágrimas, de te dizer - "A avó Maria estará sempre nos nossos corações, ela tem muito orgulho em ti!"

Depois disso as coisas voltaram ao normal, tu voltaste aos teus amigos e eu aos meus...a Luísa mudou de escola, perdemos o contacto...tenho pena, gostava muito da Luísa (não tanto como de ti, e nunca da mesma forma, mas tinha carinho por ela).
Tu agora namoravas com o JP, alto e bonito, surfista e futebolista, mas burro que nem uma porta! Nós estávamos outra vez mais juntos, o Armário, perdão o JP não se importava que fossemos amigos, na verdade ele até me tinha dito:
 - "Puto fica de olho na Joana, se vires algum gajo a fazer-se a ela avisa-me, que eu dou cabo dele!"
Basicamente foi um pedido e um aviso ao mesmo tempo, um aviso que eu ia levar em conta...muito em conta.

....
- "Não gosto das minhas sardas, quem me dera que existisse um produto para as tirar"
- " Não digas parvoíces Joana, fazem parte de ti, da tua identidade!" Disse-lhe eu...
- " Yah...mas o JP não gosta delas, diz que eu ficava mais bonita sem elas!"

Esse estúpido sabe lá o que é a beleza, sabe lá ele que as tuas sardas são do mais belo que existe, que para mim as tuas sardas são como as estrelas. Se umas brilham na escuridão do céu nocturno, as tuas sardas brilham na alvura da tua pele...Ah...a tua pele branca, suave, cheirosa!  A tua pele que de verão se torna um pouco mais escura, pouco mais, mas o suficiente para os teus cabelos longos e cor de fogo ficarem ainda mais belos. O teu cabelo quando te cai pelos ombros, sim os teus ombros também são belos com as sua próprias estrelas ou sardas. Sabe lá o grunho do JP o que são os teus lábios cor de carmim, os teus lábios doces...os teus lábios que me dão vontade de beijar suavemente. Imaginei-me muitas vezes a passar com os meus dedos pelos teus lábios e lentamente sentir a sua textura. Sabe lá o JP a beleza graciosa que tens tu quando lavas o cabelo e o enrolas na toalha, deixando apenas uns farripos vermelho fogo de fora... Ele não sabe isto tudo, mas também não precisa de saber...ele não te vê como eu vejo...ele não gosta de ti como eu gosto...

- " O que estás a pensar?"
-  "Queres mesmo saber?"
- "Quero! Estou a ficar curiosa"
- " Estou a pensar em ti! Estou a pensar como és bonita, como todas as tuas sardas são belas, como cada uma dessas pequenas manchas te torna ainda mais bonita aos meus olhos, e de como ninguém te deveria dizer que elas te fazem feia. Estou a pensar que acho que gosto de ti desde que te conheci, que te acho linda, que acho fantástica a maneira como pronuncias disfarçadamente mal os L´s. Estou a pensar como tu vais reagir a tudo isto que te digo, mas ao mesmo tempo não me importo com isso, hoje é o dia em que digo que te amo, o dia em que digo que sempre te amei, e que não te vejo como uma amiga, mas sim como uma mulher, uma mulher bela, uma mulher que tem sonhos, uma mulher que quer fazer voluntariado, que quer visitar Paris no Outono, que quer ir um dia para Nova Iorque viver... vejo em ti a menina que me defendeu um dia de um brutamontes, mas também a mulher que chorou a morte da avó Maria, ou a mulher que me falou das suas 45 paixões ao longo dos anos...hoje talvez seja o dia em que deixamos de ser amigos, mas vale a pena, o meu coração não aguentava mais com tudo isto cá dentro!" 
- " Não sei o que te dizer?"
- " Então quando souberes, sabes que eu estarei aqui para te ouvir...ou não"
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